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Sunday, March 24, 2013

PORTUGAL NÃO É INGOVERNÁVEL !

Primeiro: Era previsível, que as metas orçamentais que a “Troika” nos tinha imposto, não se iriam concretizar no curto prazo, assim apontando todos os indicadores, desde a evolução crescente da taxa de desemprego à contração do crescimento económico em valores crescentemente negativos;

Segundo: Era previsível que as receitas fiscais, se alguma evolução positiva registassem – o que seria, em todo o caso, duvidoso, em termos sustentáveis – não comportariam um possível aumento que dispensasse novos cortes e mais profundos na despesa do Estado, designadamente esvaziando o mesmo de qualquer papel de “motor” na economia real;

Terceiro: Era previsível que, qualquer que fosse a evolução política ou monetária na Zona Euro, Portugal nunca conseguiria atingir as metas traçadas com vista ao saneamento da dívida soberana em prazo razoável que não conduzisse ao descalabro económico;

Por tudo isto, o dilema da governabilidade do país, não se colocava tanto relativamente a quem governasse, mas nos instrumentos sociais e políticos que dispusesse, já que o “arco da governação” não tem comportado diferentes alternativas.

Nem adianta vir (só) agora concluir, que, afinal, o Programa de Assistência Financeira estaria mal calculado ou deficientemente elaborado, porque o “desnorte” revelado por esse facto, só nos conduz à conclusão que muito do que foi dito era, afinal, fruto de muitíssima incompetência.

A lógica do “bom aluno, cego, surdo e mudo”(!), reveladora de subserviência descredibilizante, não conduziria nunca a “bom porto”, tendo em conta que a opinião dominante na administração financeira e monetária da UE, é condicionada em grande parte pelos interesses do poderio económico Alemão.

Enquanto a Europa não mudar, tudo o que façamos para “remar contra marés”, em termos de crescimento e desenvolvimento económico para o nosso país, será, obviamente infrutífero.

A exaustão dos recursos financeiros a que assistamos, será sempre conduzida pela absorção crescente desses recursos por parte da especulação na cobrança de juros sobre a dívida pública. E assim será no quadro de uma moeda única dominada pela ideia de uma divisa forte, exigindo uma competitividade económica a que as exportações portuguesas não nos conduzirão sequer num prazo de 20 ou 30 anos (!), para sermos otimistas!

O Projeto Europeu está-se tornando auto destrutivo, principalmente para as economias com fragilidades estruturais como a nossa e isso não se resolve com “reformas” de reformas, sobre outras reformas já encetadas e “falhadas”! Sejamos realistas!

Sem uma nova política financeira e monetária na UE, para nós, é preferível sair da Zona Euro e reconhecer o falhanço da subserviência!

Como já foi salientado, desvalorização cambial não significa de modo necessário, quebra de rendimento (das famílias e das empresas), pelo menos na ordem interna. Voltar ao escudo não é um “descalabro” como alguns nos pretendem fazer crer. Significa antes a libertação de ditames essencialmente políticos, que tinham em vista colocar “de rastos” economias já de si débeis e menos competitivas.

O CDS/PP é um partido político muito diferente na sua essência e génese, do PSD! Não se confundem e não é credível que se possam confundir!

As ideias que defende e em que acredita, não passam pela sucessão de erros políticos e económicos a que temos assistido! Esses erros não fazem parte da sua matriz política nem da postura de coerência que tem mantido ao longo de décadas!

O CDS/PP não pode ser “empurrado para o abismo” por um governo cuja atitude de desalento e equívoco, de fragilidade na liderança, de falta de segurança nas soluções, de persistência no erro, faz confundir ideologias e atenuar diferenças de postura política e de convicção!

Por muito que se entenda que o CDS/PP tem tido um papel positivo na atuação governativa, tal não poderá obliterar o crescente afastamento do consenso social deste governo e o próprio isolamento técnico e doutrinário a que tem sido votado, por parte das vozes mais reputadas em termos nacionais e não só.

A crise de que não nos libertaremos enquanto os poderes dominantes na Europa entenderem que o “cerco” se deverá manter, não comporta abdicacionismos nem tibiezas! Ninguém compreende nem aceita que o Pacto com a Europa que o nosso Estado Soberano, com mais de 800 anos de História, subscreveu, nos conduza ao nosso prejuízo enquanto povo e nação, por décadas, ao serviço de interesses que não são os nossos e em nome de valores em que não nos revemos!

As recentes imposições a Chipre, demonstram com meridiana clareza que os interesses que se degladiam na EU vão muito para além dos interesses do povos ou das meras questões e/ou soluções técnico-financeiras! Trata-se de questões essencialmente políticas ou melhor, geopolíticas, em que os povos da Europa se veem “joguetes” de interesses “alienígenas”!

Arrastar, portanto, o “estertor” de um governo cuja esperança para Portugal radica na mera ausência de “alternativas” credíveis, não parece ser um percurso adequado. Não podemos cair no logro de que o país está “ingovernável” e à beira da inevitável “bancarrota”!

O partidos políticos são portadores e defendem princípios e valores inalienáveis, sob pena de se descaracterizarem por completo! Têm Programas a defender! Não podem aceitar passivamente que “outros” por si ditem atitudes e comprometimentos!

Se não for possível infletir as políticas que apenas debilitam o tecido produtivo nacional e não promovem o crescimento da economia e a criação de riqueza e antes exaurem o ânimo nacional, o CDS/PP, deverá abandonar o governo! É preferível que um governo minoritário do PSD mantenha a “fé” nas políticas em que tem insistido!

Que não haja ilusões: a entrega a um Ministro dos Negócios Estrangeiros do dossier sobre a Reforma do Estado, trata-se de "um presente envenenado" ao próprio CDS! Nenhum PSD do mundo (!) aceitará um Estado reformado pela visão do CDS! Essa estratégia destina-se apenas a comprometer o CDS no insucesso antevisto pela falta de consenso para o fazer!

Afinal porque não é o número "dois!" do governo, nas palavras "inefáveis" do próprio PM, a propor a "Reforma do Estado"?!

É necessário acordar! Metade da legislatura, é mais do que tempo de fazer o balanço!



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