Hoje, a esmagadora maioria dos mais reputados e respeitados economistas e financeiros mundiais, em particular do mundo ocidental, elegem como extremamente nefastos para os povos, os efeitos perversos na economia mundial da política económica e monetária europeia, principalmente se for mantida a estratégia de fazer funcionar "em cadeia", i. é, duma forma concertada na Europa, o efeito multiplicador negativo potenciado pelas políticas de austeridade centradas na contenção do défice orçamental em articulação com a estabilização da dívida pública, vulgo "as políticas de ajustamento".
A redução drástica do PIB europeu, a médio prazo, a subida do nível da dívida pública dos Estados, reganhando uma perigosa proporção em face da regressão do PIB nacional de cada Estado, fazem antever um cenário dramático para o futuro dos povos europeus, com particular acuidade para as economias dos países periféricos da zona euro, como Portugal. E tanto mais dramático quanto se prevê que o efeito multiplicador desses efeitos preversos sobre a economia dos Estados e da própria Europa, triplique, em face das previsões mais pessimistas que são aventadas.
Desmontada a estratégia já por muitos classificada de "suicida", encetada pela Europa, com o confessado propósito de enfentar a "crise" das dívidas soberanas dos Estados, e liderada de um modo informal, mas bastante eficaz, pela imperial Alemanha, só resta a alguns a lucidez de vir para a rua gritar ..." que o rei vai nu!"
Para pequenos Estados e economias débeis, como Portugal, nem se trata apenas de pôr em causa o tão laudado "EstadoSocial", seja isso o que for, consoante os seus "intérpretes"! Trata-se, sobretudo, de pôr em causa a sutentabilidade do país enquanto Estado independente e soberano e caminhar - a "passos largos", acrescente-se - para a claudicação perante os poderes dominantes na Europa, maxime a Germânia!
O desplante da assunção do protagonismo europeu por parte da Alemanha da Sr:ª Merkel, toma foros de um despudor atentatório do edifício institucional europeu. A Alemanha assume a sua liderança informal na Europa, não apenas por ser a economia mais poderosa (excluída a Grã-Bretanha, claro), mas porque se tenciona antecipar à reestruturação institucional que pretende para a União Europeia, paulatinamente, no médio prazo, que já calcula em cinco anos...
À falta de uma "muleta" como seria o caso da França (que já não manipula), a própria Alemanha, pela mão de Merkel, pretende assumir o protagonismo que ninguém lhe atribuiu, e muito menos de forma democrática!
Entre nós, por maior "mascarada" que seja a contabilização fiscal, para os menores rendimentos, das soluções encontradas para subir a "pressão" do orçamento sobre as economias individuais, em 2013; por maior que seja a desproporção entre a receita e a despesa, por referência ao famoso "Memorando"; por pior que seja o resultado do efeito multiplicador negativo da austeridade no depauperamento da economia e no crescimento da taxa de desemprego, ... sempre diremos que Portugal não poderá aceitar desta forma, os ditames de uma UE sem força para se impor à imperial Alemanha!
Alguns espíritos lúcidos já pretenderam comparar a actual situação da Europa à tristemente célebre situação da "Grande depressão" de 1929! E, se olharmos com atenção, as semelhanças tornam-se absolutamente flagrantes!
Só que ainda não espreitam totalitarismos ... espreita ainda, só, a ruína dos povos e o adbicacionismo dos governantes!
Será necessário - até urgente! - que se levantem e façam ouvir vozes que falem claro e que falem verdade!
Portugal exige! A necessidade de inflexão da insistência no erro, impõe-no!
Não é a caminhar para o abismo que se chega ao cume da montanha!
E que não se diga que estamos a pagar a dívida! Não estamos! Estamos a preparar o terreno para contrair mais dívida, com a vã esperança de que a especulação financeira se torne, razoavelmente, menos gananciosa!