As próximas eleições presidenciais têm-nos feito assistir a uma algo despudorada guerrilha entre alguns dos candidatos em presença. Designadamente aqueles dois que disputam de forma efectiva o lugar na presidência: Cavaco e Alegre.
Exceptuando o candidato do PCP, que se destina a aproveitar o momento para fazer pedadogia política e alguma demagogia, os três restantes candidatos são apenas "lebres". Lebres, porque não correm por si, mas para permitirem a outros o fôlego para ganhar ... ou perderem(!)..
Não têm projecto político, propósito ou razão outra, que não seja a tentativa de "forçarem" uma segunda volta nas eleições.
Depois, há que notar que à excepçãode Cavaco, que pretende representar um projecto político de presidência mais próximo de alguma Direita, de onde espera angariar votos, todos os outros são candidatos claramente situados à Esquerda!
Qualquer destes últimos candidatos permitirá que a Esquerda governe, e se continue "governando", pelo menos até ao final desta legislatura.
Mas Cavaco não é- que disso não reste a mínima dúvida - um candidato da Direita ou politicamente situado à Direita!
Cavaco é, para a Direita política, o menos mau dos candidatos. O candidato que, sendo eleito com parte dos votos da Direita, não poderá "trair" o eleitorado que nele votou com a expectativa de que exerça uma presidência da República que não premeie a Esquerda e os seus desmandos na (des)governaçao do país(!).
O recente discurso de campanha eleitoral deste candidato já faz "adivinhar" essa postura.....E tudo porque Alegre(mente),o verdadeiro candidato da Esquerda, tem atacado literalmente Cavaco, não no sentido político, mas naquilo onde aquele mais se sente atingido - a sua probidade pessoal(!).
É nossa opinião de que Cavaco, ao longo da anterior legislatura, foi um presidente, não tanto ao serviço da República, mas ao serviço da Esquerda que exerceu a (des)governação. Tudo o que pretenderam foi atingido! Nunca a presidência demonstrou, de forma inequívoca, que discordava - por um segundo(!) - daquilo que o Governo se propôs realizar, se atentarmos no essencial das questões políticas de fundo que pudessem estar em causa. E isto também, abstraindo as questões éticas, porque as soluções económicas e financeiras são sempre, inelutavelmente, questões políticas, em última análise, e fazem reflectir sempre o posicionamente dos seus protagonistas.
Só actualmente o discurso, agora eleitoralista, de Cavaco é diferente(!).
Portanto, para quem vota, e se situa politicamente ao Centro(sic) e à Direita, isto é, quem de forma mais ou menos moderada ou radical, se situa à Direita do espectro político, de forma democrática, não tem outro candidato em quem votar!
Mais: quem alimentar a esperança de que o presente governo não termine a legislatura, com o fim de "estancar" toda a sorte de desmandos a que assistimos ... e dos que ainda se pode esperar.... - não poderá deixar de votar, agora, Cavaco!
Nenhum dos outros candidatos, a ser eleito, deixará "cair" este governo! Mal ou bem, este, sendo o governo de todos os "descontentamentos", é também o governo de todas as "esperanças" ... principalmente a esperança de que a Esquerda se continue a perpétuar no Poder em Portugal, de uma forma que quase
consideraríamos "obscena"(!)..., tal a (ir)responsabilidade política por tudo o que de verdadeiramente Mau tem acontecido no país!
E esperar pela (possível) segunda volta das eleições presidenciais para então votar Cavaco, significa, em última análise, poder, com clareza, dar a vitória à Esquerda (!). Isto porque todos os outros candidatos apelarão, de uma forma ou outra, ao voto no candidato melhor colocado para derrotar Cavaco, com o voto de todos eles ... e de mais alguns que entretanto se lembrem de que poderão "ganhar"...
"Dividir para reinar" .... com o fim de tentar evitar a vitória de Cavaco na primeira volta das eleições, foi a estratégia da Esquerda! Sem sofismas!
É dever moral da Direita, unir-se no que é possível, para "barrar" o caminho à Esquerda. Não que Cavaco seja o melhor candidato, mas porque é o único(!).
Mas afinal, porquê toda esta arenga?!...
Porque é imperativo moral de alguém que acreditando que a Direita política democrática tem verdadeiras soluções alternativas à Esquerda - radicalmente distintas! e melhores - , contribuir para "travar" as insídias da Esquerda e dos seus inúmeros "truques" e "combates"(!)... qual "Odisseia" ... onde, afinal, Ulisses (Portugal) se sente constantemente ludibriado pelo "canto das sereias"!...
O quadro político em que se desenrolam estas eleições presidenciais, é, claramente, de CRISE!
Crise porque os défices do Estado são pouco menos que "confrangedores"... - a todos os níveis!.... até ao nível da chamada "administração directa do Estado"... empresas públicas, etc. ...
Crise porque a situação interna do país não permite conter o crescimento descontrolado da Despesa do Estado, fazendo crescer a Dívida Pública portuguesa que, face ao PIB, atinge, hoje, valores astronómicos!...
E por isso, a negociação externa de obrigações do Tesouro (?!) português, dos títulos da dívida, é um autêntico "desastre" nos mercados bolsistas! E, contrariamente ao que afirma o próprio PM, o facto de o Estado poder recorrer ao Fundo de Estabilização Financeira da UE - podendo então dispor da liquidez necessária - isso não significa que o "mercados" não "entendam" a mensagem enviada pelo país!...Concerteza muito antes pelo contrário!
Se permitirmos que o governo actual continue a "esgrimir" a sua (própria) defesa, interna e internacionalmente, com uma insistência desmedida em medidas que se demonstram claramente falhadas(!), se continuarmos a permitir isto mesmo, e assistirmos passivamente a ver o país se afundar... então não nos queixemos de uma futura (e quase inevitável...) humilhação nacional!....
Daí ser importante esta eleição presidencial, como a derradeira alternativa actual para permitir travar o Socretinismo, como a praga que descredibilizou o país!
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