A completo despropósito, vem agora o PSD falar no conteúdo que defende para próxima Revisão Constitucional. E todas as vozes (aquelas que constroem opinião) se levantam a dizer: Vejam como são liberais!... Muito diferentes dos seus "irmãos" socialistas, que esses sim, defendem o Estado Social, aliás consagrado na Constituição(!).
Como se, de repente, a agenda política da "Crise" se transmutasse, não nas suas "várias" soluções possíveis, mas numa outra realidade, surgida do nada : a Revisão Constitucional!
Se for lícito falar em falta de oportunidade política, estamos em frente dela! Num momento ainda distante das eleições presidenciais em que tudo pode preocupar os portugueses - tudo menos a Constituição ou a respectiva "revisão" (como se a Constituição tivesse sido impeditiva, até hoje, do seu incumprimento como de qualquer solução governativa apresentada para a fazer cumprir) - , vale a pena entender o que poderá estar por detrás de tão descabida ideia de vir propor ao país uma "revisão" contranatura, contra a história, contra a actualidade, contra os dados adquiridos do sistema político até hoje vigente.
No poder, o PSD poderia vir propor ao país, tudo! Teria mandato político para isso. Na oposição, recusar apresentar verdadeiras alternativas de governação e antes vir com "manobras de diversão" que o catalogam como "inimigo" do Estado Social, parece um contrasenso.
Parece, mas não será!...
Como já o afirmámos variadas vezes, o PSD tem uma liderança (ainda) débil e pouco convicta. Ficamos (os portugueses) com a ideia de que alguém "manobra" a agenda política da sua liderança.
O P.M. surge, desta liça, como, afinal, o verdadeiro defensor do Estado Social! O PS como a força defensora das "liberdades" e, afinal, da democracia ...(económica, social e cultural), como se o Estado Social não fosse, desde o final da 2ª Guerra Mundial, um dado adquirido da generalidade das democracias ocidentais mais evoluídas!...
Temos então a Social-democracia a "desmentir-se"! A querer ser "quem não é"...A ter uma postura liberal, como se a sua matriz ideológica não fosse o socialismo democrático e sim uma remota reminiscência do saudoso PPD, esquecido e vilipendiado!...
Dúvidas não devem restar: vir agora, neste preciso momento político, falar de Revisão Constitucional, como se tal fora a panaceia para todos os males da sociedade portuguesa e do país, vir distrair a conversa, afinal, do "Estado da Nação" (que com particular acutilância foi vincado pelo CDS/PP), só pode ser manobra de quem pretende - na prática! - "reabilitar" o PS e a sua liderança actual, criando um clivagem que não existe na realidade, entre quem defende o Estado Social e aqueles que o querem ver "destruído".
Remando claramente contra os interesses objectivos do partido de que se afirma líder, P. Coelho, deu mais um "tiro no pé"!... Mais um a juntar a vários que já lhe ouvimos. Fazendo crer aos (ainda) incrédulos que não apresenta o perfil de 1º Ministro que os portugueses esperam, que o país exige e que as dificuldades governativas impõem!
Porque não demonstra possuir uma estratégia consistente, nem um discurso político, de quem se acha em condições efectivas para mudar Portugal. Com este PSD - o país não muda! Piora!...
Se há coisa que a "coisa pública" exige - como tudo na vida! - é verdadeiro sentido das oportunidades (o que não é confundível com "oportunismo")!
Quando o CDS, pela voz do seu líder, apresenta uma proposta de formação de um governo de "Salvação Nacional", formado pelos três maiores partidos, como alternativa a um governo sem norte ... (e sem sorte!...) metade do país se pergunta da oportunidade dessa proposta. Não seria mais "patriótico" deixar o governo governar sózinho (bem ou mal...) e, uma vez sem soluções, vir ele próprio apresentar a demissão ao Parlamento? Ou não seria preferível deixá-lo governar como entendesse e vir, no final do mandato, pedir-lhe contas do que não fez ou não foi capaz de fazer; ou onde errou e deveria ter acertado e onde acertou quando outras vozes lhe diziam que estava enganado?...
Portugal não precisa de cenários "avant la lettre"... do que vai ser o futuro da sua Constituição, nem de saber se ela impediu os políticos de governar (bem) até aqui. O país sabe que o Estado Social é um dado adquirido dos Estados modernos e democráticos. O país sabe que a politização da eleição presidencial faz perigar equlíbrios instáveis e ainda mais se os poderes presidenciais forem reforçados.
Não é possível tentar governar por circunstâncias fortuitas ou "ao sabor das ondas"... Governar exige ponderação e sentido de responsabilidade! O Governo socialista foi tudo menos isso, ao longo do seu (já longo) percurso no Poder... Grande número das medidas legislativas tomadas têm que ser urgentemente revistas (até por ele próprio!...) tal o despropósito da governação!...
Aceitemos que um discurso assertivo da liderança do CDS/PP é o único caminho para acreditar na esperança de mudar o país, para melhor. É necessário que os portugueses acreditem que o que está em causa não é o "Estado Social" ou os poderes do Presidente, mas a determinação e a competência das lideranças políticas, alicerçadas num programa de acção coerente e exequível, com coordenadas ideológicas nítidas que façam crer em verdadeiras alternativas de poder!
Pois bem, é tempo da Direita política vir a terreiro, sem tibiezas - e sem titubear! - dizer que o "Rei vai nu" ... quando o PSD quer fazer inscrever na agenda política actual, e fazer eleger como preocupação política relevante da Nação, a revisão da Constituição da República - isto, sem prejuízo, claro - dela vir a ser revista, quando e se as circunstâncias governativas o impuserem e um concreto Programa de Acção o vier a exigir!