Eis que se perfila no adro do nosso político descontentamento a confluência das "sociais-democracias" socialistas e pêessedistas, vulgo o "O Centrão"!
Foi acontecer a novel liderança "Passos Coelho" e logo o PSD, pela mão do seu líder, encontra uma necessidade de compromisso político com o governo socialista, no sentido de se fazer assumir igualmente responsável pelas medidas de austeridade e contenção económico-financeira insertas no PEC.
PEC este, que poderá ser tudo - menos um plano de estabilidade social e política, não se podendo obviamente tornar num plano de crescimento - nem a médio ou longo prazo, tanto quanto seja possível perscurtar -, porque se vai inelutavelmente transformar, em marcha acelerada, num plano afinal de efectiva condenação ao crescimento do desemprego e ao colapso empresarial ... No fundo à falência efectiva do sistema financeiro português e ao descalabro do que resta de esperança em alcançar os níveis de desenvolvimento médio comunitários.
Vai pois a "Crise" dominar este outro ciclo político legislativo, como, aliás, dominou o anterior!...
Com o PS de "Socas", só a crise comanda, só a crise motiva, só a crise estimula a austeridade, só a crise justifica o autoritarismo (só) aparentemente incompreensível em Democracia, só a crise permite denegar a Justiça, a Paz social e a promoção do bem-estar do Povo, motivação maior que deveria ser a da "Política".
Ficámos a saber, como última novidade da política nacional, que o PSD "cozinhou" com o governo e com ele partilhou a responsabilidade política - sem, contudo, como diria Alberto João da Madeira, partilhar o Poder - da implementação e imposição de medidas de austeridade financeira e fiscal que, penalizando ainda e mais uma vez, dominantemente as classes médias, penaliza, por isso, o tecido produtivo português e o emprego, deixando depauperada a economia e exauridos os recursos das famílias e das empresas.
Ora, difícil não é compreender que o governo não fala verdade quando se refere a estas medidas, que (por supuesto!) reforçam a estabilidade orçamental das finanças públicas nacionais, mas não se destinam a ser "provisórias" (como ingenuamente pensará Passos Coelho), e não irão conduzir ao crescimento da economia e à almejada recuperação, reforçando os indicadores económicos que pressagiam o reforço do tecido produtivo e do emprego, com a sequente evolução da competividade para níveis que permitam potenciar o crescimento e o aumento das exportações; antes irão fazer agravar os atávicos e estruturais atrasos "congénitos" da economia portuguesa, deixando-nos (sociedade civil) mais emprobecidos e consequentemente mais débeis e permeáveis à perda crescente do Poder Soberano nacional.
É caso para dizer que esta nova liderança no PSD deixa uma ampla margem de manobra para uma verdadeira oposição à Direita (...e atenção: igualmente à Esquerda!) do espectro político.
Finalmente pôde observar-se a convergência de opinião entre as lideranças dos dois partidos do "Centrão"!
E a consequência necessária, do ponto de vista da leitura que o Povo faz do que aconteceu relativamente ao PEC, é a consideração de que PSD e PS não são coisa nenhuma alternativas um do outro! ... E só são oposição entre si, porque um dos partidos está no governo e o outro não!
Por consequência não se poderá esperar do PSD outra coisa que não seja o vazio das ideias e o esvaziamente do discurso, quando aquilo que se poderia ter esperado seria uma oposição inteligente e crítica à política governativa que desastradamente tem perpassado por estas duas legislaturas do consulado "Socas".
Hoje, mais do que nunca, é necessário falar a verdade ao Povo!
Afirmar que é possível pensar a economia e a sociedade com uma visão outra da Política, da História e da Ética Social!
Hoje, mais do que nunca, o país necessita de uma verdadeira Oposição a esta governação socialista, dum lado e do outro do "Centrão"!
Se é verdade estar o Estado Português na mira da especulação financeira internacional, não menos verdade será que a esmagadora maioria das medidas preconizadas para enfrentar essa situação - sem mais! - conduzirão a um descalabro, cujas dimensões e consequências, a prazo, não serão muitos difíceis de descortinar!...
As finanças públicas, também a prazo, irão "sofrer" os efeitos da depauperização da economia portuguesa, traduzida numa quebra de receita fiscal arrecadada. O remédio nunca poderia passar por aumentar impostos, mas principalmente por reduzir despesa pública e fazer crescer a receita fiscal por via do crescimento económico e não da sobrecarga do tecido produtivo, nem da redução abrupta do consumo privado.
O ciclo político que se avizinha a passos largos - e que começa inevitavelmente nas eleições presidenciais - irá pedir às forças políticas portuguesas a coragem de falar a verdade e a ombridade de cumprir a Palavra dada ao Povo!
Mas irá extremar posições à Esquerda e à Direita, se o discurso e a prática dos seus mentores devolver uma centelha de esperança ao Povo e der sinais de que, mais do que as estatísticas, são as pessoas e é a sociedade civil quem mais deve pesar na balança das opções políticas!