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Saturday, July 28, 2007

OPOSIÇÃO ... a quanto obrigas?!...

Fazer oposição credível, saudável, construtiva, trabalhar na oposição pela positiva, constitui, em democracia, um dever fundamental dos partidos que, não estando no governo, não partilham da mesma área ideológica do/s partido/s que participa/m no governo.
Isso significa, portanto, não combater o governo ou as suas políticas quando se concorda - porventura, até, aplaudi-las! - mas criticar quando, havendo outras e melhores soluções para a resolução dos mesmos problemas, se entende que o governo haje mal, pelas razões que se entendam adequadas.
Mas em Portugal - nada disto se passa ou, pelo menos, até agora, tem passado!
Não tem havido oposição no verdadeiro sentido da palavra. O que aqui afirmei em Dezembro de 2006, indignado com algumas políticas do governo, nomeadamente nas áreas económica, financeira, fiscal, de saúde, de educação, de administração pública, etc!... - continua, infelizmente, a ser verdade!
O PSD de Marques Mendes, não é oposição, por ser verdadeiramente social-democrata e portanto se identificar com grande parte das políticas governativas! O CDS por ter tido uma liderança falha de ideias e de soluções!...
Mas uma verdadeira oposição precisa-se, em Portugal!
A arrogância governativa do que parece julgar ser o "senhor da verdade", expressando esse sentimento de forma autoritária, na prática, só porque possui maioria absoluta no parlamento, constitui o "modus operandi" deste governo socialista.
Se a "oposição" interna do PSD não "acorda", o partido irá ..."por água abaixo", sem remissão nem remédio à vista!... Se a "nova" liderança do CDS não acorda e faz oposição firme, coerente e inteligente (!) a este governo "socrático", perderá (talvez) para sempre o "barco" da vitória e a possibilidade de se afirmar com a verdadeira direita democrática em Portugal, com capacidade para governar em nome dos valores e princípios que diz defender!
A falta de oposição política em Portugal continua a ser preocupante!...
E há tanto e tanto e tanto(!), por onde começar!...

Tuesday, July 24, 2007

Saramago ... erva ruim!...

Veio a lume a entrevista do escritor José Saramago ao DN e já faz polémica em Espanha, por todo o lado! Saramago defende a "União Ibérica" e quer fazer militância desse facto pretendendo ter algum ascendente para isso. Alguns espanhóis parecem "radiantes" com a ideia de um "vende-pátrias" tão afamado e português! Os portuguesinhos, como sempre - estão pouco menos que "estupefactos"! Por isso não dizem nada ou têm dito muito pouco...

José Saramago gostava concerteza de ser "mago" para transformar as suas ilusões em realidade!

O sonho ibérico é velho de mais de 100 anos, todos sabemos disso! E é maçónico! E é comunista! Ou socialista! Ou coisa parecida!

E ser-me-á fácil entender hoje porque li há tempos um artigo de Saramago na revista "Visão", em que, tomando posições dignas e decentes (e, quiçá, corajosas!), Saramago condenava as acções da ETA em Espanha. Hoje entendo Saramago! Ele só atacou a ETA porque o País Basco quer ser independente de Espanha (!) e isso vai contra os "seus" projectos iberistas!

A boa impressão que colhi de Saramago nessa altura, desvaneceu-se agora!... Saramago defende causas "obscuras" e há-de ser sempre um subversivo, em todos os sentidos!

Quando ataca os EUA ou Israel, Saramago só pensa no "inimigo imperialista"(!), mas quando ataca uma causa de um povo de Espanha, o Povo Basco, Saramago não pode ver aí o "inimigo imperialista", vê apenas um obstáculo ao projecto internacionalista que o comunismo sempre foi e há-de continuar a ser!

Se há que começar pela Ibéria, ... então que se comece por algum lado! Daí se passará para os sonhados por Trotsky, por exemplo, Estados Unidos da Europa (socialista!), um dia ... quem sabe!...

Portanto, politicamente falando, Saramago nem é, para dizer o mínimo, consequente!...

Porque de Saramago como escritor ... nem é bom falar!...

A forma como "ataca" a língua portuguesa (independentemente de ser bom ou mau contador de "estórias"...) é significativa da sua postura enquanto intelectual!

Não é por acaso que não colhe unanimidades, nem aqui, nem lá fora!

E verdade se diga que quem "gaba" Saramago, nos EUA ou noutro lado qualquer, não conhece a língua portuguesa, nem se apercebe como ele a violenta! Porque quem lê uma tradução fica sempre aquém do significado de um texto no contexto cultural e linguístico em que se insere, a não ser que se trate de um competente erudito, o que é raro, em qualquer caso!

Saramago não atraiçoa apenas o sentimento pátrio de quem se orgulha de ser português, apesar do desvario de governações e de algumas "elites"! Saramago atraiçoa a língua pátria e transforma-a naquilo que quer que ela seja! E quem conhece os melhores cultores da nossa língua, enquanto escritores, envergonha-se um pouco com isso!

Saramago tem sido "ajudado" de uma forma absolutamente "parcial" por quem sonha, também lá fora, com "auroras que brilham, iluminadas pelo sol do comunismo"! Promover Saramago e "esquecer" grandes nomes da literatura portuguesa, mesmo actuais, como Miguel Torga, por exemplo, apenas serve os interesses de quem, pela língua portuguesa se interessa muito pouco! Interessa mais o conteúdo do significado de Saramago para a literatura: subversão, iconoclastismo, inconformismo e intolerância para com a chamada "burguesia" e o "capitalismo".

Mas "gostos não se discutem"! E quem gosta de Saramago, que lhes faça "bom proveito"!

Mas temos que reconhecer que o fulano não defende o Povo de onde promana: Saramago, defende-se primeiro - a si próprio!

Saturday, July 21, 2007

Ainda a PAC!


A propósito do alargamento das OCM (organizações comuns de mercado) ao sector da vinha, a CAP, organização profissional de agricultores, que tem por dever funcional a defesa dos interesses da classe profissional que representa, veio a terreiro falar da sua oposição à política que se está a preparar em Bruxelas.
Aquilo que a Comissão Europeia pretende e propôs, é que o sector vitivinícola fique sob a alçada do chamado RPU (regime de pagamento único) desligado da produção, no fundo a única forma de retirar aos agricultores a possibilidade de "recusarem" o arranque da vinha que igualmente lhes vai ser proposto.
O "cerco"aperta-se uma vez mais e sempre sobre os agricultores, mas, já que foram "coniventes" com as anteriores reformas, que aceitem como "inevitabilidade" que lhes retirem direitos também aqui!
Quem afirmou que os sectores da vinha e do azeite estariam defendidos e "protegidos" relativamente aos dos cereais ou das oleaginosas, por exemplo, enganou-se redondamente! E quem divulgou essa ideia mistificadora foi cúmplice da farsa que continua a ser a Política Agrícola Comum europeia!
Ninguém imagina possível que o Alentejo se substitua à zona do Oeste, por exemplo, para passar a produzir legumes, uma vez com condições mais abrangentes de regadio!
Portugal tem condições (o Alentejo!) para a produção de cereais como o arroz ou o trigo duro, que são consideradas tecnicamente excepcionais a vários níveis, principalmente em qualidade, mas também com razoáveis níveis de produtividade, assegurada pelos avanços tecnológicos adquiridos.
Só o sul de Espanha ou o Norte de Itália teriam condições para produzir ao nível português estas variedades.
Ora bem, a desmotivação a que conduziu a aplicação das OCMs e o sistema de pagamento único, desligado da produção, levou praticamente ao "abandono" da evolução que se verificava neste âmbito, quer ao nível da produtividade, quer ao nível da quantidade e mesmo qualidade produzidas. Porque produzir bem e em quantidade é caro e o rendimento "calculado" pelos burocratas da agricultura não é suficiente para incrementar a melhoria da produção.
E poderíamos falar igualmente da produção de oleaginosas como a colza ou o girassol, cujas condicionantes de produção com as nossas condições climáticas e rega, poderiam ombrear com as melhores "performances" produtivas de outros países comunitários. E com as vantagens de um crescente aproveitamento industrial e até energético, do resultado destas produções.
Assim sendo, se isto foi "conseguido" com estes sectores produtivos, porque não com a olivicultura ou a vinicultura?
A inevitabilidade da "destruição" destes sectores produtivos por virtude da aplicação de uma política agrícola comunitária desastrosa e na qual as "CAP's" deste mundo quase não têm voz, era de esperar, porque a burocracia se não cansa de "inventar" formas de se impor e "reproduzir"!...
Por exemplo, quando em Portugal se anunciam medidas "simplexes", para desburocratizar e "desjudicializar", aquilo que se consegue é retirar direitos e garantias aos cidadãos, a maior parte das vezes(!), e, por outro lado, logo a seguir se reinventam mil formas de aumentar significativamente a burocracia a outros níveis, sem lógica (essa batata!) e sem coerência!
Ora nenhuma organização de agricultores foi, até hoje, desde 1986, quando Portugal aderiu à antiga CEE, capaz de defender capazmente os interesses de quem representava, e por uma razão simples: debate-se, sempre, com a oposição dos governos que "negoceiam" a seu bel-prazer os interesses nacionais - que eles dirigem e definem!
E continua a ser assim!

Friday, July 20, 2007

Fusão, Dissolução ou Assimilação?!...

É esta a temática "da moda", nalgumas cabeças "bem pensantes" da nossa "praça". Miguel Júdice, por exemplo!...
Não posso deixar de comentar uma recente notícia, dando conta da opinião deste ilustre mandatário da candidatura de António Costa à Câmara de Lisboa (pasme-se!!!!!!!!!).
Aparentemente "desvinculado" do PSD, esta figura, que um dia foi grada nas suas hostes, tem agora a liberdade de se afirmar apoiante de um militante socialista, que ainda por cima era ministro, apenas do mais contestado e polémico governo de que há notícia em Portugal, desde os idos tempos do chamado "25 de Abril"! E isto com mais do que um candidato à câmara, afecto a áreas políticas próximas do PSD.
Ora bem, afirma este senhor, a fazer fé na notícia divulgada, que os portugueses já não acreditam nos partidos tradicionais do leque partidário existente (onde é que eu já ouvi isto?!...), e é necessário "refundar" a democracia, que o mesmo é dizer - o Sistema Partidário!
Uma boa "opção" poderia ser a fusão do CDS e do PSD num só partido, ou melhor, a dissolução do CDS no PSD, a assimilação do CDS pelo PSD
Opinião esta que não admira, vinda de quem vem!
Estando o PSD falho e desastrado na respectiva liderança, estando em verdadeira crise, há que encontrar soluções que posicionem "os mesmos" nos "lugarzinhos"(!) que lhes pertencem por direito próprio!
Houve que dar um "empurrãozinho" ao governo, autoritário e desacreditado, a fim de o fazer colher "alguns louros" com uma vitória eleitoral, ainda que magra, oferecida "de bandeja", na velha política de dividir (os votos!) para "reinar!...
Se não tivesse havido tamanha ajuda de "todos", corria-se mesmo o "risco " de Costa perder a Câmara, o que seria "desastroso" para certos projectos!
Mas há uma coisa que ressalta claramente da análise, ainda que perfunctória, das eleições de Lisboa: os votos da direita política e sociológica ultrapassaram em muito(!) os votos da chamada esquerda "tradicional", mais ou menos "radical".
E aqui, surge o PSD, continuando, progressivamente, na sua imagem pública, a ser relativamente "indefinido" relativamente ao seu posicionamento à esquerda ou à direita!
Por uma lado, é de esquerda! mas, por outro, convinha-lhe ser de direita para ir buscar mais votos! Resultado - torna-se mais centrista que os centristas!
E se o PSD falha no seu apoio popular, se não se credibiliza suficientemente com propostas de políticas alternativas ao que é esta "imposição" do governo socialista, o povo não o aceita nem em si acredita, o que é inevitável!
A fusão do PSD com o CDS, destina-se, em nosso entender, a mais não pretender do que "evitar" essa "queda abrupta" que se adivinha ao PSD, a continuar pelo caminho de "não ser carne nem peixe!", para o que muito contribui uma liderança frouxa e sem ideário!
Assim, seria uma forma de evitar, num futuro qualquer, que a verdadeira direita política, ainda que muito democrática fosse(!),surgisse a incomodar muita gente, principalmente a "altamente instalada" nos seus "privilégios" da área do Poder.
Mas uma "fusão" tem custos! Os que respeitam à divisão da "contenda"!
Melhor seria que um dos partidos (o CDS!) se "dissolvesse" no PSD, para o que não haveria "misericórdia com os vencidos"!
Os eleitores "revêm-se" naquilo que lhes for proposto! Se não se revêm nos actuais PSD ou CDS, é porque as respectivas lideranças têm sido débeis e contemporizadoras (mais: compremetedoramente cúmplices!) com as políticas que o PS tem querido impor ao povo português!
E o "perigo" reside aí mesmo: se o PSD, despido de ideologia e completamente comprometido com a governação socialista, se o PSD fraqueja em termos de apoio eleitoral, e outra coisa se não adivinha, a continuar assim!... O CDS poderá daí tirar partido e transformar-se no grande partido da direita democrática(!) capaz de apresentar ao Povo verdadeiras alternativas às políticas socialistas e autoritárias da governação sócrates!
A prazo, este é o panorama, não tenhamos dúvidas!
Para o evitar, já se desdobram em "manobras" todos os que "fabricaram" esta espécie de"diversão maçónica" em que se transformou a política portuguesa! Orquestrada, manobrada a favor dos "interesses", os mais variados, mas sempre com um fito: o socialismo! o socialismo! o socialismo!
E se atentarmos que Manuel Monteiro (esse "coerente" político da direita portuguesa ... mas que não sabe exactamente qual a sua posição .... ou então se colocou ao serviço de interesses que são alheios ao povo português) já "abandonou" esse ficção a que deu pelo nome de PND, é porque seguramente se está preparando para uma "avançada", se calhar pelos mesmo campos da "coerência" política já tão conhecidos!
Por outro lado, até Santana Lopes, esse involuntário "frustrado" na governação, um liberal ("PPD/PSD" - sempre!) entre socialistas e outros mais (!), já terá afirmado que seria necessário um novo partido político em Portugal.
Sempre a mesma ideia (embrionária?)! A da refundação do sistema partidário! Com que objectivos?!...
Em última instância, a "sobrevivência" eleitoral do muribundo socialismo que se debate entre a tecnocracia financeira e a falta de horizontes que aos povos interessem.
Como se o socialismo fosse o remédio de todos os males!...
A História (e a prática da vida quotidiana) mostra à saciedade que o socialismo não é "o menor dos males" - é o maior! Como diria Margareth Tatcher, é "o canto da sereia" que embala todos os ulisses deste mundo! A realidade de todos os socialismos inventados é dura e cruel! Mesmo nas suas formas "mais benignas"!..., como não sei se será o caso português, mas tenho as minhas dúvidas!
Seja como for, falta "claridade" à política em Portugal! É necessário "separar as águas", e mostar ao povo que se é honesto, no pensamento e na acção!

Os que servem interesses outros que não os do povo português que se inventem, reestruturem, refundam-se ou se assimilem(!), mas que deixem em paz aqueles que acreditam nos ideais e na possibilidade de os colocar, na prática, ao serviço do POVO!
Tenho dito.

Tuesday, July 17, 2007

Lisboa Aparvalhada!...

Lisboa, a capital desta república, no Estado em nos encontramos, chama as atenções do país (antigamente dizia-se ... e ainda hoje se diz em Lisboa: da "província"!...).
Ora bem, a província pasma! Pelas piores razões, a capital deixa de ser exemplo elevado e de afirmar o primado da sobriedade e da grandeza(?)....
Pequenez, só pequenez ... é o que se assiste hoje em Lisboa!...
Como dizia o poeta: ..."tresloucado andava o rei...tresloucado andava o reino!"
As recentes eleições para o Município de Lisboa foram a anedota do país durante alguns meses ... e tiveram o desfecho que se viu!...
Ninguém aprende nada com a "eloquência" das lições dadas pelos "mestres"!...
E, como assim é, surge logo depois a questão das multas! e é delas que passo a falar, em comentário de relance.
Milhares e milhares de multas diariamente! Lisboa está aparvalhada!!!... O país está aparvalhado! O mundo está aparvalhado!
Nunca tal se viu em país civilizado! Nem há gente assim tão estúpida, nem tanta cupidez pela delapidação das finanças de um povo!
Não é verdade! Não pode ser verdade!
Que fonte de receitas ignóbil é esta que pressupõe a desobediência massiva de uma capital, de um país, de um povo?!...
Porque razão o Estado se tornou no perseguidor do cidadão incauto?! Quem lhe dá esse direito? Quem lhe permite ser assim arrogante e militantemente autoritário?!
"Homo homini lupus", já diziam os latinos e com razão! O Estado está a tornar-se o "lobo" do cidadão, neste país sofrido e injustiçado.
Que Estado é este que assim actua e é governado?!...
É socialista, meus senhores..... é socialista. Está tudo dito!

Saturday, July 14, 2007

A PAC ou A Abdicação dos Interesses Agrícolas Portugueses

A Política Agrícola Comum, designada vulgarmente por PAC, uma das áreas de intervenção da União Europeia onde é mais nítida a vertente integracionista ou supranacional da Europa Comunitária e cujo objectivo seria, antes de mais, a tendencial igualitarização progressiva dos níveis de desenvolvimento do mundo rural e do rendimento dos agricultores, acabou-se transformando, para a agricultura portuguesa, num autêntico fracasso potenciador de prejuízos, sociais e económicos, incalculáveis a curto, médio e longo prazos.
Prejuízos que se propagarão por gerações e cujo remédio ou fim se não vislumbram, muito menos avançando o pendor federalista da integração que hoje se observa na Europa, com a progressiva perda de voz por parte dos pequenos países, uma vez derrogada a regra da unanimidade das decisões do Conselho Europeu, como se aguarda, desde já, com a intervenção do governo português na aprovação do futuro Tratado Constitucional Europeu.
A PAC é, hoje, sem sombra de dúvida, um gigantesco edifício burocrático, feito do que há de mais antidemocrático que existe na mente humana: o rendimento dos agricultores na EU continua enormemente desigual, os seus níveis de desenvolvimento idem, o mundo rural, em alguns países, representando ainda uma significativa expressão demográfica – como é o caso de Portugal –, continua fonte de desigualdades e de injustiça, para além da imperatividade de uma condicionante de produção, a inconstância climática, que o deixa à deriva e à mercê de todas as “negociatas” que se façam jogando os seus interesses mais legítimos.
Todas as decisões relativas à Política comunitária agrícola comum, escapam completamente aos interesses dos agricultores reais (e à sua decisão!) e as suas representativas organizações profissionais acabam representando-se a “si próprias”, num fervor negocial que relega sempre para último grau a verdadeira defesa de quem dizem afinal defender!
Convém esclarecer que, em minha opinião, a Europa Comunitária só faz sentido se traduzir efectivamente um benefício para os povos que a integram e não meramente a concretização de um “ideal” de unificação a qualquer preço. A História Universal e Europeia está cheia de exemplos das consequências nefastas para os Povos, de todas as tentativas de unificação imperial e antidemocrática, desde a antiguidade até à era moderna.
A Europa tinha um outro projecto, outros objectivos, outros fundamentos e uma democrática forma de olhar as sociedades humanas.
Mas uma coisa são as boas intenções de quem projecta … e outra, bem diferente, poderão ser os resultados da aplicação prática das ideias ou planos projectados – todos sabemos isso!
E é por essa razão que me refiro à PAC, como um exemplo actual, acabado (!), de um projecto que “fracassou” na sua aplicação ao “real”e que releva de uma falta de “sensibilidade democrática” que pode ser cara a algumas correntes de pensamento político (como o socialismo), mas que se traduz numa tremenda injustiça para com todos (empresários, empregados, trabalhadores rurais…) os que trabalham na e com a terra e que fazem da agricultura uma verdadeira actividade económica (!) e não um mero “joguete” de interesses os mais variados, mas, em grande parte, alheios aos seus reais protagonistas!
Seria impensável transformar os rendimentos de qualquer agente na indústria ou no comércio (ou nos serviços!), numa “teia” intrincada de papéis, “certificados” e “justificações”, para que lhes fosse “atribuído” um rendimento, definido superiormente por quem entende do que a cada um cumpre receber, em função de critérios que não são uniformes no espaço comunitário e, por isso mesmo, são injustos e anti-democráticos!
E não se venha dizer que a “intenção” afinal … seria “defender” os interesses das classes intervenientes no processo agrícola, porque tal não pode, razoavelmente, ser verdade!
O rendimento efectivo dos agricultores nos diferentes países comunitários é desigual e grandemente injusto para os países com menor poder negocial ou cujos interesses económicos ou de circunstância são “negociados” de forma global, preterindo-se, a maior parte das vezes, os verdadeiros interesses de quem está ligado à terra e à (indispensável!) produção agrícola! E tudo isto, tendo naturalmente em conta os diferentes níveis de desenvolvimento económico dos diversos países e o nível geral de rendimentos.
Hoje a agricultura e os seus agentes, na Europa comunitária, são reféns de uma incrível burocracia, geradora de custos de funcionamento administrativo (nos países nacionais e ao nível central) astronómicos e que todos acabamos pagando com os nossos impostos (maxime com impostos indirectos, como o IVA). E a PAC ao nível administrativo e financeiro é um enorme “polvo” que vai crescendo e sendo “alimentado” crescentemente por uma mentalidade desmedidamente burocratizante e controlista que, de par com artificialização dos preços de mercado (invocando, mas sem “grande convicção”, os acordos da OMC), vai empobrecendo e debilitando a seu belo prazer o sector agrícola de forma a lhe retirar “força reivindicativa” e sentido do real!
E se isto é verdade para a generalidade dos países comunitários (alguns ainda em processo de “desagregação” do sector agrícola – o que já não é manifestamente o caso de Portugal), por maioria de razão é verdade aqui, neste rincão … “à beira-mar plantado”!…
O facto de se falar em rendimento único garantido e de se ter desligado a produção do rendimento (!) é disso mesmo o mais eloquente exemplo ilustrativo!
Ainda que se tente “lançar poeira”… com medidas agro-ambientais de duvidoso resultado prático em termos gerais e com abrangência limitada (e limitativa!), e se divulgue a promoção e desenvolvimento do chamado “mundo rural” (?), a verdade é que ninguém nos meios agrícolas deixa de “pasmar” com tamanha artificialidade e falta de senso comum!
Pedir ao sector económico agrícola que não produza – porque outros o farão por si! (quem, afinal?!...) e mesmo assim lhe garantir um “rendimento(zito)”… é mais ou menos o mesmo que pedir ao comércio que feche portas(!) ou à indústria de deixa de laborar(!), ou aos serviços que deixem de existir (por desnecessários!) !
Alguém se lhes substituirá e manterá o “essencial” da actividade económica – que ninguém se preocupe! ….
A mentalidade que “urdiu” este sistema e o enquistou cada vez mais é (só pode ser!) herdeira de um controlismo de matiz autoritário à moda socialista e detentora de uma enviesada noção do que é a igualdade, o interesse dos povos ou a concretização de um projecto democrático de união!
A liberdade, o valor padrão da democracia, fica completamente “espezinhada” por estes lados!... Todos a perderam no dia em que entregaram a Bruxelas a possibilidade de retirar das suas vidas o controlo (e o rendimento!) da sua produção! É Bruxelas quem dita o que se produz e como, quem define quanto se ganha e como, e quem controla todo esse processo de uma forma indefectivelmente digna de qualquer absolutismo!
E nem será demais lembrar uma das últimas medidas anunciadas relativamente à vinha em Portugal! Terão que ser arrancados (!) cerca de 17 mil hectares de vinha porque Bruxelas entende assim! Serão talvez as mais velhas, as mais pobres, as menos produtivas … talvez!... Mas quem “não quiser arrancar” … vai com certeza sofrer as consequências desse acto. Ninguém obriga … mas “o sistema” a isso irá “obrigar”! Que recebam os “incentivos”, os subsídios, as “ajudas”, o que for!...mas vão ter que arrancar pelo menos os 17 mil hectares que foram mandados!
E o que se passa com o sector da vinha (olha o optimismo que por aí andava com o plantio da vinha e do olival!), passar-se-á com todos os sectores que ao nível central europeu assim se “negoceiem”… E depois, como Portugal não tem “poder reivindicativo”… vai arrostar sempre com as consequências mais “nefastas”. E que nem são assim tão difíceis de lobrigar!...
Que ninguém afirme que a PAC (e as suas sucessivas reformas!...) foram benéficas para o nosso país e para o sector agrícola – porque isso não corresponde à verdade!
O que trouxeram foi desânimo, abandono, abstencionismo, desmoralização, de par com a chegada de todos os oportunistas de fora do mundo rural, desde os “vizinhos” espanhóis (que já terão comprado “metade do Alentejo” – onde vale realmente a pena comprar – principalmente nas zonas dos “barros” e no perímetro de Alqueva!), até aos investidores turísticos estrangeiros e nacionais, conluiados com a banca, sem pátria nem história!
Ninguém desconhece que há vinte anos, em Portugal, se retirava mais rendimento da agricultura tradicional do que hoje se consegue, com todas “ajudas” e “apoios” que seja possível pensar!... Quando o custo de vida evoluiu o que se sabe e o rendimento médio subiu exponencialmente, é fácil verificar o significado para o mundo rural desta “grande ajuda”(!) ao seu enterro!...
E que sentido fará esta solução quando a produção agrícola inevitavelmente baixa, o rendimento diminui, a insatisfação com os poderes públicos aumenta e o tecido social rarefaz-se…e empobrece!?...
Todo o sentido!
É necessário assestar armas contra a agricultura, porque o “mundo rural” vive dela! E esse mundo é, por natureza, conservador!... Não é possível mudar as coisas contra extractos da população tradicionalmente conservadores porque eles reproduzem relações sociais com efeitos ideológicos contrários à mudança!...
É necessário fazer “desagregar” o mundo rural para que se possam impor novas relações sociais na produção e se impeça a reprodução dos modelos ideológicos do passado!...
Na linguagem dos economistas, é necessário que parte significativa da população ligada à agricultura dela se desligue (democraticamente … pela “força das circunstâncias”…) e “liberte” mão-de-obra para outros sectores de actividade!
E que fazer com o desemprego, a falência dos sistemas sociais de apoio ao cidadão na saúde, na assistência social ou na educação?! …Depois se verá!...
Haverá sempre soluções, porque a “prioridade” é a destruição do mundo rural (!) e em cima disso – que é “obra” de gerações … - se construirão “amanhãs de esperança” para todos os “socialismos” nacionais ou internacionais!...
Ou então a esta “pulsão” unificadora europeia, quem sabe, um dia se seguirá (como ao longo da História foi lição!...) uma outra de sinal contrário que “esqueça” os projectos geracionais desconstrutores … e inaugure outras eras de esperança democrática e libertadoras dos povos!