contador de visitas

Thursday, June 28, 2007

«mais um caso de asfixia democrática»

"Exonerada. Foi o que aconteceu à directora do Centro de Saúde de Vieira do Minho por não ter retirado um cartaz do corredor do centro contendo declarações do ministro Correia de Campos «em termos jocosos».

Segundo a Administração Regional de Saúde do Norte a demissão ficou a dever-se a uma «quebra do dever de lealdade» para com o ministro que a nomeou. À Lusa, o assessor de imprensa rejeitou «qualquer comparação» com o caso do professor Fernando Charrua. «Não se pode colar um caso ao outro. Aqui há um caso de violação de um dever de lealdade».

O assessor reconheceu que não foi Maria Celeste Cardoso quem colocou ou mandar colocar o cartaz de que o ministro não gostou. «Mas a directora tinha a obrigação de averiguar quem o colocou e o motivo por que o fez num espaço onde se prestam cuidados de saúde. Também deveria dar conhecimento dessa diligência à hierarquia», sublinhou Antonino Leite. Acrescentou que «conhecedor da situação, o ministro destituiu-a por entender que estava a ser violado dever de lealdade com quem a colocou no cargo». "- in www.PortugalDiário.iol.pt

Ignóbil! Já não há outra classificação possível para o que está a acontecer no país! O medo começa a instalar-se, principalmente nos cargos públicos ... de direcção ou nem tanto.
Hoje ninguém tem lugar seguro,designadamente na função pública, em qualquer cargo, qualquer situação, qualquer grau hierárquico. A arbitrariedade começou a grassar de uma forma torpe e despudorada!E a impunidade manter-se-á enquanto durar o mandato "democrático"!
Trata-se de uma forma subtil de "controlar" todas as vozes (democraticamente) discordantes.
É esta a verdadeira face da esquerda! É a verdadeira face do socialismo rapace e matreiro!...
Há que fazer entender a esta gente, em futuros sufrágios que, por mais (e melhor!) que manipulem as "sondagens" de opinião, a derrota espera-os à esquina... e vai ser, espero, pesadíssima!...
Não há que falar de "boas intenções", porque as actuais são péssimas! Há que perceber como se abomina os valores democráticos, a tolerância, a igualdade, o respeito pelo trabalho e honestidade, etc., etc., etc., ...em nome da "confiança"!
É triste o panorama actual ... e o horizonte vai trazer novas, já não tarda, de uma Europa que, pela mão destes "democratas", nos irá tirar a voz!

Monday, June 25, 2007

Esquerda ou Direita ... eis a Questão! (Reflexões)

Esta terminologia “esquerda e direita”, aplicada ao pensamento e à acção política, tem origem na Assembleia Nacional Constituinte Francesa, de 1791, na sequência da Revolução Francesa de 1789, e começou por identificar de “esquerda” os jacobinos, mais radicais, por oposição à “direita” dos girondinos, e isto porque se situaram nas alas esquerda e direita da referida Assembleia.
Com este historial, nos parlamentos nacionais de tradição democrática, continua a situar-se à esquerda ou à direita a representação dos partidos políticos, em função do seu maior ou menor radicalismo relativamente à situação.
É evidente que esta divisão, actualmente, é completamente retórica, e não significa outra coisa, na Europa, senão a identificação das forças políticas aliadas ao pensamento marxista, nas suas várias vertentes ideológicas, como sendo de esquerda e as forças de oposição, como sendo de direita.
E esta é a única clivagem ideológica que realmente passou a contar. Porque dos “centrismos” já falámos suficientemente!
E é necessário entender que as sociedades humanas mais desenvolvidas evoluíram, alargando o grupo social dominante – a classe média. A estratificação operada sociologicamente, no pensamento não marxista, distingue depois as sub-classes média, média-baixa e média-alta, já não tanto com base em critérios sócio-culturais, mas, quase exclusivamente baseada em critérios de rendimento económico.
Enquanto a análise marxista sobre a “luta de classes”, distinguia na Burguesia a pequena, a média e alta, e a análise posterior (Nikos Poulantzas, entre outros, já na segunda metade do séc.XX) passou a identificar as formas “tradicionais” e “novas” dos vários estratos burgueses, na tentativa de adaptar a teoria à realidade sociológica das sociedade urbanas, a chamada Globalização obriga a uma renovação da reflexão sobre os estratos sociais e (obriga também) a uma reflexão sobre o alargamento das classes médias, mudando a terminologia e “mistificando” a análise social, preconizando agora com o anunciado “fim da ideologia” , em simultâneo, o “fim das classes”.
E não é por acaso que esta terminologia é usada por todos os socialistas e toda a esquerda política, em geral.
Mudando as “relações de produção” – que, inquestionavelmente – mudam com as Revoluções!, mudam, de igual modo as respectivas relações sociais no interior do tecido social. E, em Portugal, que agora nos diz respeito, essa mudança foi profunda e completamente radical.
Assim, contrariamente ao conceito que se tinha de burguesia, no sentido tradicional, em que a ideologia dominante era de cariz conservador, a(s) classe(s) média(s) tem pouquíssimas referências culturais, “soi disant” tradicionais, sendo permeáveis às culturas urbanas globalizadas, por influência crescente de factores globalizantes como os “media”, as comunicações em geral, ou a evolução nos transportes, para além de uma crescente e tendencial “igualitarização” do rendimento, tendo como referência o emprego.
O “caldo de cultura” para a revolução social existe inquestionavelmente e é premiado pelo pensamento socialista e pela esquerda política em geral. À direita resta mostrar que é melhor e que as soluções que preconiza são as mais adequadas ao bem estar social e à maior justiça nas relações humanas e sociais e, particularmente, nas relações dos cidadãos com o Estado.
O Estado socialista (mesmo o que aceita o “jogo democrático”) é, por natureza, e deformação atávica do pensamento esquerdista, talvez não totalitário, mas sempre impositivo, envolvente e controlador do cidadão e da sociedade.
Ora, sabido como é, desde os tempos de Montesquieu e Rousseau, que o que distingue o Homem do Cidadão é precisamente a sua inserção ou vinculação ao Estado, enquanto organização política das sociedade humanas, inevitavelmente terá que ser deixada uma margem à natureza humana e à sua acção, onde o Estado não tem necessariamente que intervir!
O cidadão é devedor ao Estado e é seu “vassalo”, mas o Homem é o “demiurgo” do Estado; o Estado existe para servir os cidadãos e não o contrário! O Estado tem que ser contido na sua acção de organizar e controlar a sociedade, sob pena de não ser deixada ao Homem margem de manobra para o exercício legítimo da sua Liberdade!
Mas o Estado socialista é, na sua própria essência, um Estado que crescente e renovadamente pede aos cidadãos sacrifícios e cedências em nome do “sacrossanto” bem estar social, justiça, igualdade ou outra “razão” maior que a si próprio tenha imposto.
A isto a direita política tem que responder que a Liberdade do Homem, contrapartida da sua dignidade enquanto ser humano, é o seu valor maior!
Daí só a direita democrática poder avaliar quais os critérios da acção política que permitem libertar as sociedades em vez de as “subjugar”, como faz o Estado socialista.
Existe uma medida exacta, ao nível fiscal, por exemplo, na tributação dos cidadão, organizado ou não em sociedades ou empresas, para além da qual não é legítimo ao Estado que ultrapasse, sob pena de crescentemente pôr em causa a liberdade dos cidadãos enquanto homens!
Existem dimensões na acção humana que têm obrigatoriamente que ficar à margem do controlo e da acção do Estado, para preservar o valor da Liberdade, e os políticos têm que entender esses limites, baseados no princípios e valores que informam as ideologias dos respectivos partidos.
Neste particular, os socialistas, como todos os defensores de ideologias, na sua essência, “totalitárias”, não conseguem entender os “limites” da acção do Estado na vida dos cidadãos. Tem que ser a direita a mostrar que entende e respeita esses limites e assim fazer entender à sociedade as diferenças importantes que existem na actuação política das direitas e das esquerdas.
O fervor “reformista”, peculiaridade dos governos de esquerda, quaisquer que eles sejam, não permite, por via de regra, perceber que só faz sentido mudar o que está desactualizado ou se verificou não estar correctamente regulado. Mudar só por mudar – não significa evoluir! Na maior parte das vezes, reformar assim, implica mais burocracia, ou mais complicação, ou mais dificuldade e, inevitavelmente, mais atraso!...
Mas para retomar o tema do “desagravamento” fiscal, diremos apenas que quem baixa impostos – é a direita! A esquerda sobe sempre a carga fiscal! A esquerda social-democrata “inventou” uma coisa muito antiga e de todos os regimes opressores dos Povos, ao longo da História … A subida crescente e, por vezes, “desenfreada” dos impostos, os impostos “progressivos” sem limite nem coerência!...
Se alguém deve desagravar impostos, inquestionavelmente – tem que ser a direita!
Porque sabe que existem alternativas à necessidade de aumento das receitas do Estado. Porque o Estado se deve limitar à sua função de regulador da sociedade naquilo em que seja indispensável a sua acção, designadamente na defesa dos mais fracos … para além de assegurar o funcionamento do todo social.
A “receita” e a resposta da direita à necessidade do Estado por mais receitas fiscais, tem que passar pelo aumento da riqueza tributada, o que implica a necessidade de criar mais riqueza. E só é possível criar mais riqueza, propiciando condições para que ela seja gerada na sociedade.
Ao invés, a esquerda teme a criação de riqueza!... Quere-la controlada pelos poderes socialistas a vários níveis, desde o aparelho do Estado à banca. De preferência que essa riqueza criada não “ameace” o poder socialista…o que se pode conseguir “bloqueando”(inteligentemente) o investimento interno nacional e promovendo “acordos” com o capital estrangeiro disposto a investir só em condições extremamente vantajosas!...Tudo isto sem fazer “perigar” o poder constituído.
A Agência Portuguesa de Investimento e a sua acção, é um bom exemplo do que um governo de esquerda pode fazer pelo aumento de riqueza num país! Quase nada!...
Se entendemos necessário reduzir a despesa corrente do Estado, através do corte nos salários da função pública, e a solução passa por afastar e despedir, entre outras medidas, reduz-se emprego e capacidade de resposta da sociedade civil, antes de mais em termos fiscais. A solução não pode nunca ser : mais eficácia na máquina de cobrança fiscal, penhoras “automáticas” e outras pérfidas investidas contra os cidadãos! Porque se pretende tirar de onde cada vez existe menos…A solução nunca é o empobrecimento das classes médias!
A solução só poderia passar pela tal criação de mais riqueza e mais emprego e mais rendimento, promovendo o consumo interno e a exportação (e não apenas uma dessas coisas!). Mas não é fácil fazê-lo … sendo socialista!
A esquerda não tem soluções para os problemas que assolam as sociedades actuais! Por muito “criativa” que pretenda ser, a esquerda não tem respostas! E Portugal é disso um eloquente exemplo!
Em vez de crescimento económico a esquerda promete recessão!... Em vez de mais emprego e mais rendimento disponível para famílias e empresas, a esquerda promete sacrifícios e “vacas magras”, cargas fiscais crescentes e retracção do consumo!
Em vez de igualdade e justiça social, a esquerda promete agravamento das condições de vida dos mais desfavorecidos (aumento do custo de vida, por exemplo, com diminuição de rendimento) e empobrecimento da sociedade em geral!
A esquerda debate-se com problemas demográficos importantes e fomenta políticas que diminuem a natalidade, agravando as suas condições a vários níveis, sem respostas de um sistema de saúde que rebenta por obsoleto!
A esquerda retrai o investimento público e privado sem apresentar alternativas credíveis que confiram esperança ao país (a não ser, talvez, num futuro longínquo…).
Os mega projectos, quais “elefantes brancos” lembrando episódios dum passado marcelista de triste memória, só endividam mais o Estado, para o qual não há poupança ou sanha colectora de impostos que “salve”.
O poder na esquerda é desastroso para a economia e para sociedade, como vimos, mas necessita de saber que existem alternativas inteligentes àquilo que apresenta como “inevitabilidades”.
Na saúde, na educação, na justiça, no emprego, na Administração Pública, na economia e nas finanças, é possível fazer mais e melhor! E só a direita política democrática e responsável é capaz de responder a esse desafio!
Enquanto a direita ficar “refém” de políticas de compromisso com a esquerda, nunca o Povo nela confiará seriamente!
Que ninguém venha falar da "coragem" da esquerda para tomar medidas "difíceis"! A falta de escrúpulos não é coragem!

Wednesday, June 20, 2007

V - O Sistema Partidário Português ou o Centrismo Ideológico

Com efeito e apenas reportados à Europa, só em Portugal se afirma ser de direita alguém ou algum partido político social-democrata. Mas a verdade é que essa mistificação acaba transformando a autêntica "redundância" que é o PSD na política portuguesa, num partido em que as suas bases se encontram completamente enganadas (na sua maioria) relativamente ao partido que apoiam ou onde militam. E não é raro ouvir militantes ajuramentados do PSD afirmarem que o socialismo democrático é uma coisa e a social-democracia uma outra coisa diferente; e isso também não é verdade em mais país nenhum do mundo!
Portanto, as bases do PSD são, na sua maioria, ideológica e sociologicamente situadas à direita - e de direita! E, assim, esperam do seu partido que se coligue com o CDS/PP, por exemplo, porque essa coligação seria "natural"...
Mas não é! Ou melhor, só o é, porque o PSD disputa o eleitorado do CDS, dizendo-se de "direita", e, por outro lado, disputa as bases eleitorais do PS, dizendo-se de "esquerda" ou de "centro-esquerda" ou, pura e simplesmente de "centro".
No dia em que o seu verdadeiro eleitorado esteja com o CDS/PP, este partido terá dimensão superior ao PSD, ou, pelo menos, equivalente ... e o PSD será reduzido à infíma espécie!
Isto porque o eleitorado de esquerda distribuir-se-ia pelo PS e pelos outros partidos de esquerda, e o eleitorado de direita deslocar-se-ia integralmente para o CDS/PP, único partido de direita democrática com credibilidade no leque partidário português actual e que representa (ou deveria representar) os interesses e os valores da direita em Portugal.
Para isso muito ajudará uma liderança fraca no PSD (como a actual) e, por sua vez, uma liderança forte no CDS (como queremos acreditar que terá actualmente). Tudo isto de par com uma agressiva política social-democrata por parte do PS, mostrando ao Povo a verdadeira face do socialismo democrático: autoritária e com inteiro desprezo pelas pessoas!Hoje os números... amanhã os ideais!...
Mas, mais importante que tudo: é necessário, sem rebuço, falar a verdade ao Povo!
Abandonar em definitivo as meias-tintas e afirmar o CDS/PP a verdadeira alternativa a qualquer governo PS ou PSD, para já não falar de outras forças à esquerda destas.
E é preciso afirmar com convicção que as políticas sociais-democratas do "centrismo", não são as únicas e milagrosas soluções para os problemas da economia e do país! Para os mesmos problemas que a esquerda tenta resolver desta forma ... a direita preconiza outras soluções! Assim os políticos acreditem que elas existem e que é possível colocá-las em prática para bem de Portugal!
Será caso para afirmar que todas as "depurações" (em figuras mais "emblemáticas" ou não - tanto faz!) são desejáveis, em última instância, se elas contribuirem, em definitivo, para clarificar quem está com quem e de que lado do "espelho"...para (re)por verdade e autenticidade na política portuguesa.
Diga-se apenas de passagem que o CDS/PP é dos partidos políticos portugueses que mais tem sofrido, ao longo da sua existência, com essas "depurações" ... e não será por acaso. É que o seu posicionamento eleitoral e a, por vezes, equívoca intervenção, tem propiciado situacionismos de circunstância e , com certeza, oportunismos vários, de par com compromissos espúrios, estou certo.
Daí, que quando "o cerco aperta", as pessoas veem-se obrigadas ... a sair. Nem sempre da forma mais "digna", mas que sempre, inevitavelmente, tem que ver com o facto do partido ser ou não ser de direita, esquecendo que o "centrismo" é um fosso onde cabem todas as interpretações e todos os comprometimentos!

Tuesday, June 12, 2007

IV - O Sistema Partidário Português ou o Centrismo Ideológico

Não é por acaso que os bloquistas falam do "centrão" depreciativamente, como o vazio ideológico da governação socialista moderada.
Todos pretendem, afinal, ser "centristas", porque isso significa, em última instância, ser moderado e até dá votos! Claro, com pequenas "nuances": centro-direita, centro -esquerda, centro propriamente dito.
Mas, em bom rigor, não há verdadeiramente diferenças entre os "centrismos" - são todos uma e a mesma coisa: um vazio ideológico verdadeiramente confrangedor!
E cumpre aqui falar do CDS-PP (Centro Democrático-Social, Partido Popular). Porque tem "centro" na sua designação, porque foi o primeiro partido político, em Portugal, a usar essa terminologia e porque -pasme-se! - verifica-se que se reivindica do centro na voz de certos seus mentores ideológicos.
E o centro políticamente falando é o quê? Nada! Moderação ... oposição ao radicalismo (ao sectarismo e ao facciosismo, tão típicos dos partidos da esquerda, isso mesmo, radical).
A terminologia do "centrismo" surge em França para servir gregos e troianos, e é importada a belo prazer por quem defende que a ideologia morreu ...
Nesta lógica, o CDS-PP seria então um partido sem ideologia ... apenas moderado na sua expressão política, ou então defender-se-ia que o centrismo é ideologia e seria verdadeiramente o partido do centro! Um centro Democrático e Social!
Democrático por defender as regras da democracia parlamentar e social porque seria informado pelas preocupações sociais da chamada doutrina social de igreja (católica, romana, diga-se de passagem).
Por esta via o CDS seria um partido de pendor claramente democrata-cristão (retiraria os seus ensinamentos, basicamente, das encíclicas papais), com uns "pózinhos" de personalismo filosófico, como defendia o Pro. Freitas do Amaral.
Mas quem funda o CDS, fá-lo num período revolucionário em que a direita era "fascista" e anatemizada por tudo o que era cabeça "bem pensante". Esquencendo, ignorando ou mistificando, que fascismo é esquerda, porque os extremos se tocam, como é esquerda o socialismo nacionalista hitleriano (vulgo nazismo). Hitler tinha um pensamento político claramente socialista (portanto, de esquerda), embora não marxista e defendia regimes autoritários anti-democráticos. Mussoline foi toda a vida, até à fundação do partido fascista italiano, um militante anarco-sindicalista, com trabalho jornalístico de algum relevo nos pasquins revolucionários esquerdistas do tempo.
Qualquer regime autoritário do tipo "fascista", nacionalista, só pode ser claramente anti-americano, por oposição ao liberalismo que combate. Portanto, chamar a isso "direita" é, no mínimo, não falar verdade!
A direita, é, por tradição, democrática e liberal, e encontra o seu expoente máximo na Revolução Fancesa de 1789 e na Independência Americana, herdeira dos mesmos valores.
Assim sendo, e porque a política americana na Europa (de par com a divisão geo-estratégica do mundo de então, ainda na chamada "guerra fria") era de não tolerar regimes autoritários de tipo comunista, o regime político português, de democracia nascente, para ser isso mesmo - democracia - haveria de ter um leque político-partidário que afirmasse a pluralidade de ideias políticas e isso implicava a existência de um partido que se afirmasse mais à direita.
O Centro democrático Social, surge um pouco à laia dos "centros republicanos" da 1ª República;
havia que atribuir uma designação ao partido que o distinguisse da esquerda, mas pretendia-se afirmar valores ideológicos que implicassem, só por si, alguma "moderação" anti-socialista.
E, curiosamente (ou talves nem tanto) um dos fundadores do CDS, precisamente o Prof. Freitas do Amaral, afirma ainda que não foi ele que mudou, foi o partido que de si se afastou!...
E, de resto, nem se estranhe que ele esteja "próximo" dos sociais-democratas, porquanto essa é uma tradição de sempre dos democratas-cristãos (recordemos o malogrado Aldo Moro, ex-primeiro ministro italiano e as suas variadas coligações à esquerda, com o Partido Socialista).
Mas o CDS ideológiamente não é apenas um partido informado pelo ideário democrata-cristão e personalista. O facto de ser o único partido à direita que se afirma com credibilidade na área do poder político, leva-o a congregar todas as ideias e forças que, à direita, militam pelos direitos humanos e pela democracia.
Assim, liberais e conservadores irmanam-se com democratas-cristãos e personalistas, de par com democratas populares (e alguns "populistas" à laia da tradição latino-americana) e o partido surge como ideológicamente o mais rico do expectro político português, longe, muito longe do vazio ideológico que representa o centrismo.
"Centrista", nesse caso, será a esquerda de má consciência social-democrata e não a direita política.
O facto dos "fazedores de opinião"(vulgo jornalistas) atribuirem ao PSD um posicionamento à direita na política portuguesa, só é verdade porque os partidos sociais-democratas sempre estiveram à direita do Partido Comunista, o que não significa que não sejam eles próprios de esquerda, como é evidente. E isso só acontece porque a democracia portuguesa tem um historial "sui generis", apenas explicável por mais de quarenta anos de ditadura.
(cont.)

Wednesday, June 6, 2007

III - O Sistema partidário Português ou o Centrismo Ideológico

Na verdade, o PSD parece ser um partido que, pelo conjunto de pessoas que integra a nível dos seus quadros dirigentes, das suas figuras emblemáticas, um partido muito mais à esquerda do que o PS. Ou melhor, se calhar nem tão à esquerda, mas com um pendor esquerdista de cariz autoritário, à velha moda estalinista/maoista. E nem será por acaso que encontramos no PSD muita gente vinda de áreas políticas estalinistas ou daí muito próximas, de par com leninistas convictos e, pelo meio, alguns "ingénuos" liberais. E posso citar organizações políticas, por exemplo, como a OCMLP (organização comunista marxista-leninista portuguesa), onde militou Pacheco Pereira, ou o famoso MRPP, onde militaram figuras tão "distintas" (mas simultaneamente tão próximas) como Durão Barroso, Saldanha Sanches ou Maria José Morgado.
Todos, por via de regra, os que vieram do marxismo-leninismo, enveredaram perfeitamente pelo PSD, porquanto na sua "conversão" (realista) à social-democracia, verificam que o pendor mais autoritário no exercício do poder é típico de quem possui uma formação daquele tipo. Mas também os há vindos directamente do leninismo mais ferrenho, como Zita Seabra e outros, herdeiros da "coerência ideológica" do PCP. E nao se pense que são "vira-casacas", não senhor! São perfeitamente coerentes dentro da sua visão dialéctica da sociedade e da História. Mas são, naturalmente, simpatizantes de uma visão mais "disciplinadora" e por isso mais "autoritarista" na organização política e social.
Já no PS, o que nós encontramos, de par com verdadeiros social-democratas, e alguns "frustrados" leninistas como Acácio Barreiros (ex-UDP - União democrática Popular , claramente numa linha ideológica próxima do marxismo/leninismo/maoismo) são muito mais aqueles vindos do chamado "socialismo revolucionário" (não leninista), nostálgicos da doutrinação de Rosa Luxemburgo ou Gramsci, à moda dos antigos militantes da "LUAR"( Liga de União e Acção Revolucionárias) do tempo do regime autoritário salazar-marcelista. Há muitos nomes no PS vindos dessa área, e nomes com alguma projecção; veja-se o caso de Fernando Pereira Marques, só para citar um antigo dirigente daquela organização política de oposição ao regime. Mas poderíamos falar também do antigo presidente Jorge Sampaio, denodado militante, como tantos outros, do famoso MES (Movimento da Esquerda Socialista), movimento este igualmente de cariz não leninista e por isso se enquadrando tão bem no Partido Socialista!
Quanto aos Trotskystas, eles são inúmeros e vindos das diversas facções e organizações em que se dividiu a droutinação de Trotsky: das "Ligas Revolucionárias" dos "bloquistas" deste mundo, dos Louçãs e dos Rosas, às figuras que estiveram ligadas ao grupo do "Secretariado Unificado"da chamada IV Internacional (comunista, fundada por Trotsky, em disensão com Lenine, fundador da II Internacional e também com Kautsky e Bernestein, da III Internacional), como Carmelinda Pereira e Aires Rodrigues.
Tudo isto para corroborar a ideia de que aqueles que possuiam uma formação político ideológica de tipo não autoritário, dentro do marxismo, vieram acolher-se no PS, como alfobre de uma atitude política aparentemente (pelo menos) de menor "rigidez", menor disciplina, e portanto, menor autoritarismo; mais "democracia", se assim se pode dizer.
E isto é explicado, entre outras coisas, pelo "estilo" de governação "Cavaquista", por exemplo, por oposição ao estilo "Soarista".
Mas ambos os estilos cabem perfeitamente na visão social-democrata da realidade política, embora com matizes algo distintos, pelas razões já expostas.
Assim, aqueles que afirmam (dentro e fora do partido, e principalmente nos "media") o PSD um partido social democrata como sendo algo de diferente do partido socialista, estão mistificando, estão mentindo, estão ocultando a verdade, e outra coisa não têm pretendido - para além de espalharem a ignorância - que "fabricar" uma opinião pública (que, na Europa, é única em Portugal) que continue a votar nos dois partidos "charneira", imaginando serem alternativa um do outro, coisa que não são e nunca foram!
E cumpre aqui falar de novo do tão laudado "centrismo". Eis a social-democracia arvorada em centrista, quer às esquerdas, quer às direitas, segundo o sabor dos ventos que aos eleitores querem fazer acreditar.
E a esta lógica não escapa o CDS/PP, "sangrado", expurgado e reformado por dentro variadas vezes, e com uma fundação que o orgulha e "envergonha" e terá que ser devidamente entendida para que se alcance o papel que poderá desempenhar na sociedade portuguesa e na política, um partido que, seguramente, acaba sendo o mais "híbrido" do ponto de vista ideológigo no expectro político português.
(continua)