Caro Martim Borges de Freitas,
Não sei se lembra quem sou, mas isso, neste momento, nem será importante.Sou actualmente militante de base do CDS/PP na concelhia de Évora. E sou-o não porque não tivesse apoios para ser ou ter sido, por exemplo, Presidente da própria comissão política concelhia, mas porque assim entendi ficar. Estou à vontade para descomprometidamente dizer o que penso.
Possuo um blog que julgo conhecerá:"www.evoranascente.blogspot.com", onde vou, com menos regularidade do que gostaria, escrevendo algumas opiniões e comentários que entendo pertinentes. Não procuro protagonismos mas não actuo anonimamente.
Escrevo-lhe porque tenho recebido algumas mensagens da sua parte e entendo que os militantes de base também têm o dever de exprimir a sua (deles) opinião independentemente de serem ouvidos.
Tenho achado curioso o seu posicionamento actual no CDS/PP e por essa razão agora lhe respondo. Estou seguro de que é um convicto militante da direita democrática deste país e que almejará para o seu partido e para o país, o melhor, dentro das suas convicções.
Mas verifico que entrou numa "guerra" difícil de entender, e que sei não será apenas sua. O partido entrou em conflito interno ao nível de alguns dos seus quadros, no meu entendimento, por virtude de alguma dificuldade em interpretar o momento político que se vive no país com o "consulado" socrático.
Constato que se combatem , não ideias ou estratégias, mas pessoas; fulaniza-se a política como se de uma coisa menor se tratasse.
Entre Ribeiro e Castro e Paulo Portas, o que está em causa não são as pessoas! São as ideias, as estratégias, a postura face aos desmandos da esquerda, radical e sopeira, manhosa e dissimulada, a "fingir-se" centro quando é tudo menos isso!
Um governo como o actual, o mais radical, autoritário, injusto e tecnocrático no mau sentido, de que há memória na democracia portuguesa; com total insensibilidade social - e mentiroso! - um governo assim mereceria sempre uma oposição aguerrida e combativa, convicta e agressiva mesmo! Nunca uma oposição "civilizada" esperando por sobre o "caos" vir de novo a ser governo em "coligação" com os moderados da esquerda!
Não importa se se trataria de Ribeiro e Castro! Basta ouvir o povo para perceber que os portugueses se riam das intervenções de uma oposição "frouxa" e sem conviccção, por contraponto a um governo arrogante, senhor de todas as verdades!
E isto, tanto da parte da liderança do PSD como do CDS!
A consequência só poderia ser a substituição das lideranças desses dois partidos da oposição, porque toda a gente entendeu que com o tipo de oposição que se estava a construir, não haveria uma alternativa credível a apresentar a Portugal no fim do "desastre" socrático.
Quem respeita os princípios democráticos - e os mais autênticos princípios democráticos não são procedimentais ou regulamentares - são, na sua essência, genuinamente os que respeitam a opinião da maioria!-, quem respeita a democracia, dizia, tem que aceitar que os militantes e o próprio povo português estava descontente (e assim continua) quando entendeu subsitutir as lideranças dos dois principais partidos da oposição.
Porque à arrogância socrática é necessário responder com firmeza e determinação, por forma a convencer o povo de que existe alternativa e de que é possível criticar o poder propondo outras e melhores soluções.
Se Paulo Portas não é a melhor solução para conduzir uma oposição firme,verdadeira e responsável, a este governo autoritário e esquerdista; se não é a liderança capaz de convencer o povo português (e não apenas os militantes doCDS/PP) de que possui alternativas credíveis a esta governação danosa para o povo português, maquiavélica e autoritária, então que se tivessem posicionado para a liderança do partido as pessoas que se julgavam capazes de tal desiderato!
Que se não venha agora "carpir" mágoas, maniqueisticamente, dizendo que uns serão "bons" e outros serão "maus"!
Os bons serão os que se demitem? Os que viram as costas ao partido e ao povo? Serão os que pactuam com uma governação esquerdista e danosa, dizendo-se, eles próprios, de direita? mas no fundo aceitando a perpetuação do poder socialista, como inevitabilidade tecnocrática para a perda crescente de soberania política, administrativa e financeira do estado português? Francamente não entendo!
Para mim, a única forma de entender a actuação humana, passa sempre por uma leitura acerca da honestidade dos intervenientes. Mas aqui, quem é honesto? Quem diz o que pensa ou quem afirma o que lhe convém?!... fico na dúvida.
Não sei a quem aproveita esta "guerra" de guerrilha (passe a redundância) a que V. Ex.ª e outras pessoas se propuseram. Quem vai lucrar? O povo português? O partido e o seu aparelho? As suas estruturas de base, as suas cúpulas, a sua organização a nível nacional? A sua unidade e coesão? O seu posicionamento para combater o socialismo que está a destruir o que resta deste país e a delapidar o que resta do amor-próprio nacional , o que resta do orgulho em ser português e a que já chamámos patriotismo?
Francamento, penso que nem V. Ex.ª terá resposta para estas questões de uma forma convincente. Não para que me convença a mim da sua verdade, mas para que convença a maioria dos militantes do partido ou o povo português!
Ninguém entende que um partido pequeno, "atacado" e "fraccionado" - porque o poder socialista e maçónico não aceita perder para uma direita democrática verdadeira e se degladia de todas as formas possíveis -, se "consuma" em lutas intestinas e maldicências internas que o não prestigiam aos olhos do povo português!
Reveja o seu papel no partido, ao serviço dos seus ideais que acredito que os tem!
Veja verdadeiramente a quem aproveita atirar dirigentes contra dirigentes e militantes contra militantes! Ponha a mão na sua consciência de pessoa de bem que acredito é!
Verá que, tal como eu, as pessoas comuns, sem entenderem nem se preocuparem com as "motivações" de quem actua, têm dificuldade em compreender a sua actuação.
E dessas pessoas se farão as decisões democráticas, sempre!
Saudações Populares e Votos de um Bom Ano Novo!
Cordialmente,
Francisco Barbosa
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