Depois de ouvirmos a posição de princípio do mais visível opositor interno a Marques Mendes, dentro do PSD, chegamos à conclusão que, ou Marques Mendes ganha, destacado(!), as directas no partido e continua a sua triste romaria até às legislativas de 2009, perdendo inevitavelmente, em consequência; ou ganha um outro, presumivelmente Luís Filipe Meneses, transformando o partido e a sua forma de fazer oposição, num "zombie" sem saber se pretende estar à esquerda e cativar um eleitorado refém do esquerdismo (não importa as "desilusões") ou se pretende vir a ter uma postura mais à direita e captar as classes médias que não vão atrás de ideologias mas de questões práticas do seu dia-a-dia, e representam, na nossa sociedade actual, o grosso dos eleitores com significado em qualquer vitória ou derrota eleitoral.
Assim sendo, restariam "as franjas"...
E, nas franjas, só vemos o CDS/PP e Bloco de Esquerda! O Partido Comunista não será nunca alternativa de coisíssima nenhuma, pese embora o seu papel relevante na oposição a qualquer poder, descomprometido precisamente por isso!
As forças políticas com condições de "crescer" eleitoralmente (ou serem submergidas...) só se nos afiguram poder ser essas duas referidas.
O Bloco poderia crescer por via do desencantamento com a esquerda tradicional, demasiado aburguesada e tecnocrática, cada vez mais indiferente aos destinos dos povos! O CDS/PP, por via do preenchimento das expetactivas das classes médias, como catalisador do descontentamento popular, uma vez apresentadas soluções credíveis e razoáveis ao eleitorado.
Para isso, terá inevitavelmente de existir oposição! Oposição verdadeira, sem medos ou equívocos, apresentação de soluções alternativas e crítica acerba a medidas erradas do governo na perspectiva de quem se posiciona do outro lado!
Esta é um oportunidade histórica para que a direita democrática se afirme como alternativa política credível em Portugal! Qualquer "coligação" factual, ou colagem ideológica ao PSD ( como estando todos na "direita") irá certamente sair cara a ambos os partidos.
O CDS/PP tem que fazer acreditar ao povo português de que tem condições para governar sózinho Portugal e de que o PSD poderá ou não ir "a reboque", mas isso não será condição necessária nem, por si só, "suficiente" para garantir a confiança do eleitorado. Será preciso que o povo acredite que é possível fazer diferente e de que a esperança numa vida e num país melhor pode acontecer!
A não ser assim, acabaremos assistindo ao Bloco de Esquerda a negociar com o PS um acordo pós-eleitoral em que imporá as condições que a extrema esquerda sempre almejou e que de todos são conhecidas!
Por outro lado, o CDS/PP, para ser um partido vencedor(!) terá que assumir uma postura liberal, descomprometida e laica, tendo presente a dimensão social no seu legado democrata-cristão, e a sua dimensão ética conservadora, em harmonia com os valores mais tradicionais e caros à sociedade portuguesa das pessoas de bem, a sua larga maioria! Terá que possuir uma liderança aguerrida, com convicções e que, sem rebuço, desmonte todas as mistificações que a esquerda ideológica ou tecnocrática tem vindo a querer impor ao Povo português!
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