Na verdade, o PSD parece ser um partido que, pelo conjunto de pessoas que integra a nível dos seus quadros dirigentes, das suas figuras emblemáticas, um partido muito mais à esquerda do que o PS. Ou melhor, se calhar nem tão à esquerda, mas com um pendor esquerdista de cariz autoritário, à velha moda estalinista/maoista. E nem será por acaso que encontramos no PSD muita gente vinda de áreas políticas estalinistas ou daí muito próximas, de par com leninistas convictos e, pelo meio, alguns "ingénuos" liberais. E posso citar organizações políticas, por exemplo, como a OCMLP (organização comunista marxista-leninista portuguesa), onde militou Pacheco Pereira, ou o famoso MRPP, onde militaram figuras tão "distintas" (mas simultaneamente tão próximas) como Durão Barroso, Saldanha Sanches ou Maria José Morgado.
Todos, por via de regra, os que vieram do marxismo-leninismo, enveredaram perfeitamente pelo PSD, porquanto na sua "conversão" (realista) à social-democracia, verificam que o pendor mais autoritário no exercício do poder é típico de quem possui uma formação daquele tipo. Mas também os há vindos directamente do leninismo mais ferrenho, como Zita Seabra e outros, herdeiros da "coerência ideológica" do PCP. E nao se pense que são "vira-casacas", não senhor! São perfeitamente coerentes dentro da sua visão dialéctica da sociedade e da História. Mas são, naturalmente, simpatizantes de uma visão mais "disciplinadora" e por isso mais "autoritarista" na organização política e social.
Já no PS, o que nós encontramos, de par com verdadeiros social-democratas, e alguns "frustrados" leninistas como Acácio Barreiros (ex-UDP - União democrática Popular , claramente numa linha ideológica próxima do marxismo/leninismo/maoismo) são muito mais aqueles vindos do chamado "socialismo revolucionário" (não leninista), nostálgicos da doutrinação de Rosa Luxemburgo ou Gramsci, à moda dos antigos militantes da "LUAR"( Liga de União e Acção Revolucionárias) do tempo do regime autoritário salazar-marcelista. Há muitos nomes no PS vindos dessa área, e nomes com alguma projecção; veja-se o caso de Fernando Pereira Marques, só para citar um antigo dirigente daquela organização política de oposição ao regime. Mas poderíamos falar também do antigo presidente Jorge Sampaio, denodado militante, como tantos outros, do famoso MES (Movimento da Esquerda Socialista), movimento este igualmente de cariz não leninista e por isso se enquadrando tão bem no Partido Socialista!
Quanto aos Trotskystas, eles são inúmeros e vindos das diversas facções e organizações em que se dividiu a droutinação de Trotsky: das "Ligas Revolucionárias" dos "bloquistas" deste mundo, dos Louçãs e dos Rosas, às figuras que estiveram ligadas ao grupo do "Secretariado Unificado"da chamada IV Internacional (comunista, fundada por Trotsky, em disensão com Lenine, fundador da II Internacional e também com Kautsky e Bernestein, da III Internacional), como Carmelinda Pereira e Aires Rodrigues.
Tudo isto para corroborar a ideia de que aqueles que possuiam uma formação político ideológica de tipo não autoritário, dentro do marxismo, vieram acolher-se no PS, como alfobre de uma atitude política aparentemente (pelo menos) de menor "rigidez", menor disciplina, e portanto, menor autoritarismo; mais "democracia", se assim se pode dizer.
E isto é explicado, entre outras coisas, pelo "estilo" de governação "Cavaquista", por exemplo, por oposição ao estilo "Soarista".
Mas ambos os estilos cabem perfeitamente na visão social-democrata da realidade política, embora com matizes algo distintos, pelas razões já expostas.
Assim, aqueles que afirmam (dentro e fora do partido, e principalmente nos "media") o PSD um partido social democrata como sendo algo de diferente do partido socialista, estão mistificando, estão mentindo, estão ocultando a verdade, e outra coisa não têm pretendido - para além de espalharem a ignorância - que "fabricar" uma opinião pública (que, na Europa, é única em Portugal) que continue a votar nos dois partidos "charneira", imaginando serem alternativa um do outro, coisa que não são e nunca foram!
E cumpre aqui falar de novo do tão laudado "centrismo". Eis a social-democracia arvorada em centrista, quer às esquerdas, quer às direitas, segundo o sabor dos ventos que aos eleitores querem fazer acreditar.
E a esta lógica não escapa o CDS/PP, "sangrado", expurgado e reformado por dentro variadas vezes, e com uma fundação que o orgulha e "envergonha" e terá que ser devidamente entendida para que se alcance o papel que poderá desempenhar na sociedade portuguesa e na política, um partido que, seguramente, acaba sendo o mais "híbrido" do ponto de vista ideológigo no expectro político português.
(continua)
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