O leque partidário do sistema político português é do mais curioso que há no quadro dos países democráticos integrados na Civilização Ocidental e, em particular, na tradição política democrática europeia, bem como na História das Ideias Políticas.
Comecemos pelo partido chave de toda a esquerda portuguesa, ao qual todos devem reverência e memória das chamadas lutas anti-fascistas, o Partido Comunista Português, de matiz obsoleto, ultrapassado pela História das pessoas e das ideias, acreditando piamente em Lenine e na tão famosa "Teoria do Partido", plasmada no não menos famoso livro anterior à Revolução russa de Outubro de 1917 e que, de algum modo, a preparou, intiludado "Que Fazer?" (o partido representa o POVO - logo é o POVO! A "Ditadura do Proletariado" - é a ditadura do Partido). Isto, de par com uma organização partidária de cariz anti-democrático - tão ao gosto português! - o chamado "Centralismo Democrático").
Este Partido Comunista, integrado numa orientação ideológica basicamente leninista mas admirador de Staline ("esquecendo" ou "ignorando" quem foi verdadeiramente Staline e a dimensão dos seus crimes, verberados logo a seguir à grande Guerra de 1939-45 pelo próprio Krutchev em visita de "pacificação" ao E.U.A. .), este partido, dizíamos, continua, de uma forma incrível a fazer acreditar que tem uma mensagem com actualidade. Esta mensagem inscreve-se na reformulação ocorrida nos Partidos Comunistas europeus após a 2ª Guerra Mundial e em particular a partir do ascenso das forças esquerdistas nas sociedades ocientais (basicamente europeias e americana), nos anos sessenta do séc. XX (a época da chamada "guerra-fria").
Santiago Carrillo, líder do Partido Comunista Espanhol e, em particular Benedito Berllinguer, secretário-geral do Partido Comunista Italiano (numa versão bastante mais moderada), foram justamente considerados os "pais ideológicos" do "Comunismo Europeu" ou "à europeia" ("de rosto humano" diria alguns antigos comunistas como o português Mário Soares, depois fundador do Partido Socialista Português em dissensão com Álvaro Cunhal, que chefiava então o Partido Comunista e quiçá, por força da salutar mudança de pensamente que sempre ocorre a quem pensa a realidade).
No essencial a questão resumia-se a aceitar formalmente as regras da "democracia parlamentar" (a que Marx, nos finais do séc. XIX chamara "ditadura da burguesia"), à espera de "melhores dias" para poder impor as suas próprias ideias comunistas.
Mas em verdade a "força" da mensagem do PCP assentando basicamente num eleitorado pouco "politizado" e pouco alfabetizado, endemicamente empobrecido e com uma estrutura moral (fruto da educação sociologicamente enraízada, por razões várias que não cumpre aqui referir) era enquadrada nas "grandes linhas de força" ideológicas que passavam e passam, desde logo, pelo quase completo desrespeito pelo valor social da "propriedade" enquanto apropriação individual (de uma forma redutora, como é óbvio).
A "queda abrupta" de quase todos os Partidos Comunistas europeus, do leste e do ocidente, desmistificou, perante o povo as suposta "maravilhas" do sistema e trouxe, com a "realidade" da emigração a verdadeira face dos cada vez menos ainda subsistentes regimes políticos filiados nesta matriz ideológica. E nem mesmo perante a realidade a "convicção" dos dirigentes cede!
Encontramos depois um Partido Socialista, social-democrata na sua essência ideológica, fundado nas velhas convicções de Kautsky e Bernstein (convém lembrar a chamada "Internacional Amarela de Berna! - a conhecida "Internacional Socialista" actual e as suas "guerrilhas" com Lenine, donde saíu a Terceira Internacional - a chamada na actualidade e velha de tantos anos, "Internacional Comunista"), com base numa leitura do pensamento Marxista considerada a "autêntica", a que verdadeiramente corresponderia ao pensamento "puro" de Karl Marx e de Frederic Engels.
(continua)
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